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Para Quem Havemos de ir? (João 6:68)

Copyright © 1998 Cid Miranda

 


A RESPOSTA BÍBLICA


A resposta a tal pergunta feita a Jesus foi dada pelo próprio Pedro logo depois:


"Tu tens declarações de vida eterna".







Primeiramente, essa afirmação mostra que a vida eterna nunca foi propriedade exclusiva da Sociedade Torre de Vigia, podendo-se concluir também que o fato de sair dessa organização não significa necessariamente perder de vista essa maravilhosa perspectiva, visto ter Pedro atribuído apenas a Jesus o poder de ofertar o inestimável prêmio da vida eterna a qualquer pessoa que se mostrasse apta para recebê-lo. Portanto, independente de se pertencer ou freqüentar uma determinada organização religiosa, qualquer pessoa poderá conquistar tal prêmio por simplesmente exercer fé no filho de Deus. (João 3:16)


Provando como isso é possível, veja o que ocorre no contexto de Lucas 23:42, 43. Aquele malfeitor que agonizava ao lado de Jesus, nunca tinha ido às reuniões do Salão do Reino, ou à pregação de casa em casa; nunca havia feito discursos públicos ou estudado a revista A Sentinela, etc. No entanto, tal homem recebeu a impressionante GARANTIA de um futuro eterno pela boca do próprio filho de Deus que lhe prometeu: "Estarás comigo no paraíso". Sua fé simples no filho de Deus o conduziu à salvação sem que ele precisasse antes ingressar em qualquer organização religiosa.



No entanto, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová declarou o seguinte em A Sentinela de 01/10/94, p. 8:


"Assim como as profecias bíblicas apontavam para o Messias, elas também nos encaminham ao unido corpo de cristãos ungidos das Testemunhas de Jeová, que serve atualmente qual escravo fiel e discreto. Todos os que desejam entender a Bíblia devem reconhecer que a 'grandemente diversificada sabedoria de Deus' só pode ser conhecida através de seu canal de comunicação de Jeová, o escravo fiel e discreto. - JOÃO 6:68"



Veja a indicação do texto de João 6:68 no final da citação acima. O Corpo Governante o aplica a si mesmo, embora Pedro só falasse ali de Jesus. Portanto, a organização se apoderou das palavras desse texto e se colocou perigosamente no mesmo lugar de Cristo. Fica claro, porém, que Cristo não lhes outorgou esse direito; este lhes foi auto-conferido e tem sido o instrumento pelo qual a organização afunila toda a sua carga de controle mental, psicológico e espiritual ao passo que programa as sinceras Testemunhas de Jeová para jamais duvidarem de que é para a "organização" que devem ir.



Pode-se também observar que os antigos servos de Deus (Isaías, Ezequiel, Jeremias, Jonas, Abraão, etc) não estavam afiliados a qualquer "organização" tal como as que hoje existem e, no entanto, eram representantes terrestres Dele e designados pessoalmente por Ele.



Quando falamos em "organização" nós nos reportamos às hodiernas instituições religiosas. Queremos dizer que aqueles servos de Deus do passado não serviam a tais estruturas religiosas organizadas tais como as que vemos em várias religiões hodiernas com suas igrejas centrais e até mesmo "Corpo Governante" do tipo que se observa no comando central da Sociedade Torre de Vigia.



É bem verdade que Deus escolheu uma nação como Sua Nação Santa por um longo período da história bíblica. É verdade também que as primitivas congregações cristãs se reuniam para louvar a Deus e aprender de Sua palavra em logradouros, catacumbas, pequenos lares cristãos, etc. Embora isto esteja registrado como fato concreto, temos de entender como e porque a Sociedade Torre de Vigia decidiu reivindicar apenas para si mesma o direito de ser a única verdadeira estrutura continuada daquela congregação de primitivos cristãos à qual uma ovelha de Cristo deva ir para obter a salvação.



Para convencer seus membros de que a Bíblia mostra um Corpo Governante, a Sociedade Torre de Vigia tenta, por exemplo, apoiar-se em um evento isolado quando alguns cristãos do primeiro século se reuniram para resolver um problema LOCAL citado em Atos 15:22-29.



Todavia, será que textos como esse tornam necessário que precisemos de todo o aparato de uma enorme organização para nos apoiar e, consequentemente, de uma liderança para exercer controle em nossas vidas, dando-nos aguilhoadas e exercendo fortes pressões para realizarmos uma obra comprometida por regras humanas criadas por um grupo "especial" de homens que se dizem representantes e porta-vozes de Deus os quais, mesmo falhando repetidas vezes, continuam alegando que são "orientados pelo espírito santo de Deus"?



COMPROMISSO COM UMA ORGANIZAÇÃO


As duas perguntas feitas antes da imersão total em águas batismais como Testemunha de Jeová, por exemplo, até meados da década de 80 eram as seguintes: (Conforme A Sentinela de 1 de novembro de 1973, página 664):


(1) Arrependeu-se de seus pecados e deu meia -volta, reconhecendo-se perante Jeová como pecador condenado que precisa de salvação, e reconheceu perante ele que esta salvação procede dele, o Pai, por intermédio de seu Filho Jesus Cristo?


(2) À base desta fé em Deus e na sua provisão de salvação, dedicou-se sem reservas a Deus, para fazer doravante a Sua Vontade, conforme ele lhe revela por meio de Jesus Cristo mediante a Bíblia, sob o poder esclarecedor do espírito santo?


A partir da década de 80, as perguntas foram mudadas para: (A Sentinela de 1 de junho de 1985, página 31)


(1) À base do sacrifício de Jesus Cristo, arrependeu-se dos seus pecados e dedicou-se a Jeová para fazer a vontade Dele?


(2) Compreende que a sua dedicação e o seu batismo o identificam como uma das Testemunhas de Jeová, em associação com a organização de Deus, dirigida pelo espírito Dele?


Notaram a diferença?


Quem se batizou antes da década de oitenta pretendia estabelecer um compromisso apenas com Deus, e o esclarecimento para essa dedicação partia Dele, através do entendimento das Escrituras por meio do espírito santo Dele. Já aqueles que se batizaram depois da década de oitenta teriam de estabelecer um compromisso com Deus, mas aceitando a organização Torre de Vigia como sendo dirigida por Ele e isso, portanto, constituir-se-ía em comprometimento total com essa organização. Assim, a organização Torre de Vigia, orientada por advogados bem treinados, e não por "espírito santo", preveniu-se contra quaisquer futuras acusações e/ou ataques de membros que poderiam suscitar dúvidas quanto ao modo como ela dirige certos assuntos que os envolve. Assim sendo, a partir daquela data, os novos membros batizados passariam então a "ser identificados como Testemunhas em associação com a ORGANIZAÇÃO de Deus..."


ADESÃO TOTAL ÀS REGRAS DE UMA ORGANIZAÇÃO HUMANA


Mas será que ir em busca desta organização cheia de regras e comprometer-se desse modo com ela, responde à pergunta-tema desta página?



Sem dúvida, as regras devem existir pois do contrário teríamos de contar apenas com um caos que se auto-organizasse. As regras, no entanto, devem servir ao propósito de ajudar, equilibrar, ajustar e adequar as coisas para fazê-las funcionar melhor, mas jamais deveriam ser manipuladas para subjugar nossos semelhantes e forçá-los a viver sob a constante pressão de dogmatismo religioso com tendências cartoriais. Tal lugar não é para onde desejamos ir.



Com base em Mateus 15:8-9, torna-se deveras importante refletir, antes de qualquer conclusão, sobre os efeitos alienantes e nocivos de todo e qualquer jugo de regras humanas não-bíblicas a que se sujeitam não só as Testemunhas de Jeová, mas também pessoas que pertencem a outras denominações (dominações?) religiosas a fim de decidirmos para ONDE, ou melhor, para QUEM devemos ir. (João 6:68)



Em quase todas as religiões, as regras são inicialmente passadas como "admoestações" ou "conselhos amorosos". No entanto, à medida que o tempo passa e tais conselhos se cristalizam através de sermões ou discursos públicos, tendem a se transformar em referenciais de julgamento negativo ou positivo, quanto a se alguém é ou não é um cristão "exemplar", "maduro", "teocrático" ou "espiritualmetne forte". E pasme o leitor, apenas por meio de uma TOTAL e incondicional adesão a padrões de conformidade de grupo - mesmo aqueles não especificados na Bíblia – alguém estará "qualificado" e se habilitará "devidamente" para receber seu passaporte final, a "etiqueta de aprovação" que o tornará "digno" para abraçar "privilégios" congregacionais no local que promete ser o melhor lugar, "um paraíso espiritual para quem quiser adorar e servir ao 'verdadeiro Deus', o Deus da Bíblia, a quem todos almejam ir".



"AMOS DA FÉ"


Contudo, permanece ainda a pergunta: "Para Quem Havemos de Ir?"



Paulo certa vez declarou:

"Não é que sejamos AMOS de vossa fé, mas somos COLABORADORES para a vossa ALEGRIA..." (1 Cor. 1:24 TNM)


Devemos ir a uma organização que retrata um Deus que impõe regras inflexíveis as quais muitas vezes culminam em produzir inteiras congregações de "co-cristãos" que se tornam "AMOS DA FÉ" dos outros, vigias uns dos outros, juízes e por vezes, até mesmo "grilos falantes" (ou consciências) uns dos outros? (Rom. 14:10-12)



Tudo isso, por incrível que pareça, é o que tem ocorrido mesmo que tais pessoas estejam cientes de que a "fé não é propriedade de todos" e que servir aos interesses da "organização" que se auto-recomenda, não é o mesmo que "buscar os interesses do Reino" mencionados por Cristo. (2 Tes. 3:2 e Mateus 6:33)



LEGALISMOS NOSSOS DE CADA DIA


À guisa de exemplo podemos nos lembrar aqui de alguns "amorosos conselhos" que com o tempo, transformaram-se inexoravelmente em regras de fabricação puramente humana. Não iremos mais nos delongar nas questões já analisadas nas páginas de "Questionamentos" (serviço civil alternativo, frações de sangue, transplantes de órgãos, etc).



Como deve alguém se comportar em uma congregação das Testemunhas de Jeová, seguindo a conformidade do grupo, a fim de poder ser bem aceito nele?



1. Os varões devem usar gravatas no estudo de livro ao dirigi-lo (ou apenas para ser o leitor); adicionalmente, deve usá-las em todas as reuniões também;


2. O comprimento das saias das irmãs, sua subserviência exacerbada aos varões, etc, poderão servir de "fémômetro" delas para os anciãos e outros, além de revelar substancialmente quão modestas ou não, quão espirituais ou não, quão "cogitáveis" para um casamento, etc, elas realmente são - ou não;


3. Um irmão solteiro "teocrático" não deve ficar saindo "ao campo" com irmãs solteiras (mesmo que o território ou a área a ser coberta na pregação se mostre perigosa);


4. Irmãos solteiros (e por acaso normais) não devem ficar dançando com irmãs solteiras nas "festinhas" de congregação (elas se quiserem que dancem com outras mulheres - e isso de modo algum parecerá humilhante);


5. Os irmãos e irmãs noivos nunca devem ficar a sós (afinal de contas, o Corpo Governante e os anciãos locais não confiam lá muito nas consciências e nas "faculdades perceptivas treinadas destes irmãos e irmãs para distinguir tanto o certo como o errado"– Heb. 5:14) e, se eles/elas forem desobedientes "à palavra dos da dianteira", de repente, poderão até mesmo ser encaixados no texto de 2 Tes. 3:14,15;


6. As irmãs mais "maduras" para serem realmente exemplares devem ser do tipo sério, recatado, evitando corrigir os varões nas congregações (por exemplo, mesmo que um orador tenha cometido muitos erros sérios [até doutrinais] da tribuna, uma irmã mesmo sendo mais inteligente ou mais culta; quem sabe mais preparada biblicamente ou talvez mais perspicaz; por vezes simplesmente muito melhor informada, etc, ainda assim não deverá corrigir o orador);


7. Os irmãos não devem bater palmas quando um desassociado for reintegrado (embora os anjos dos céus aplaudam e "haja mais alegria nos céus por causa de um pecador que se arrepende do que por causa de 99 justos que não precisam de arrependimento" - Lucas 15:7);


8. Varões "espiritualmente fortes" não devem usar barba, (esse é um sinal típico de rebeldia) nem seguir modismos nos cortes de cabelo ou roupa.


E a lista continua...



Os que vivem à margem da lei, digo, de tais regras, são considerados "fracos".



A conclusão a que se chega é que o apreço de coração pela benignidade imerecida de Deus ao fazer de nossas vidas um dom gratuito só é validado para a organização quando se adere de perto às suas regras, o que significa dizer que a genuinidade do cristianismo de um associado dependerá em muito do que ele fizer em prol dos interesses da citada "conformidade de grupo".



OS EFEITOS DEVASTADORES DE UM PROCESSO DESUMANIZANTE


Neste turbulento cenário descrito acima, tornar-se-á mister também que as Testemunhas mais fiéis façam muitas obras prescritas e orientadas pela "classe do escravo" visto que para a organização a mera fé não será suficiente, embora saibamos que para Cristo ela é mais do que bastante. (Mateus 9:20-22 e 8:2,3)



A verdade simples e maravilhosa de que "Deus nos amou e igualmente devemos amar-nos uns aos outros" sofre um processo desumanizante de robotização que surge sempre que os humanos são obrigados a aderir a regras humanas exageradamente restritivas e opressoras, criadas por um punhado de homens. Deveras, a condição de tolhimento da liberdade cristã se constitui, reconhecidamente, em um dos meios mais eficazes para se reduzir o alcance de nosso genuíno amor ao próximo.



Quando se analisa tudo isso realisticamente, a importante resposta à pergunta, "Senhor, para quem devemos ir?" fica muito difícil de ser obtida em uma organização religiosa extremista.

Lamentavelmente, muitas vezes isso tudo só é percebido depois do batismo quando só então o novo membro descobre que existe uma terrível falta de demonstrações espontâneas de caloroso amor, um amor que não se restrinja apenas à não participação em guerras, mas aquele amor que é tão proclamado na organização como "sinal identificador dos verdadeiros cristãos".


Muitos concluem tristemente ao longo dos anos que, até certo ponto, o tão alardeado e aparente "amor cristão" era melhor sentido quando ainda eram "estudantes da Bíblia" ou "simpatizantes" quando então todos faziam tudo para lhes "ganhar".



A culpa por tudo isso talvez se deva ao fato de que o precioso amor dá lugar ao legalismo e autoritarismo religiosos. Esses dois componentes de controle geram em nós, humanos imperfeitos, uma incontrolável força que nos faz agir como juízes do cristianismo alheio ao passo que não nos damos conta de quão falhos nós mesmos somos. (Mateus 7:1-5) Muito disso poderia ser evitado se tão-somente os pastores e "representantes de Deus" não acrescentassem fardos pesados adicionais aos membros de suas organizações religiosas. (Mateus 23:3, 4)



TEMOS DE IR A ALGUÉM OU A ALGUM LUGAR?


Contudo, quando respeitamos e valorizamos nossa liberdade cristã não atendemos a esta compulsão nem nos submetemos a qualquer outro jugo além daquele sugerido nas palavras do filho de Deus em Mateus 11:28-30 (BJ):



"Vinde a mim todos o que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois o meu jugo é suave e meu fardo é leve."



"Para Quem Havemos de Ir", então? Jesus ensinou em Mateus 18:20:



"Onde estiverem 2 ou 3 ajuntados em meu nome, ali estarei eu no meio deles"



O método bíblico para se "ajuntar" o povo de Deus não ocorre por meio de uma organização legalista e autoritária que se auto-recomenda, se auto-glorifica e se auto-vindica o tempo todo.



A Sociedade Torre de Vigia certa vez alegou em sua revista A Sentinela (em inglês) 1 de fevereiro de 1952, pg. 80:



"Depois de termos sido nutridos até a presente força e maturidade espirituais, tornamo-nos, de repente, mais inteligentes que nosso provedor anterior e abandonamos a orientação esclarecedora da organização que nos serviu de mãe?"



No entanto, não é apenas por meio dessa "mãe" que o povo de Deus tem sido ajuntado através dos séculos, pois Atos 10:34, 35 declara explicitamente:



"Em cada nação, o homem que teme o verdadeiro Deus e faz a sua justiça lhe é aceitável."



Raymond Franz, ex-membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová tendo vivido por mais de 40 anos entre elas, escreveu certa vez sobre os que poderiam fazer essa mesma pergunta "Para Quem Havemos de Ir?" quer antes ou depois de sair da organização, principalmente por motivo de consciência, e terminavam descobrindo a alegria da liberdade de uma relação pessoal com Deus:



"...Eles se dão conta, mais do que nunca antes, do relacionamento íntimo que usufruem com seu Amo e Dono como discípulos dele, por quem são tratados como amigos pessoais, não como ovelhas que homens confinam em massa num aprisco, mas como ovelhas a quem o Pastor dedica atenção e cuidado individuais, pessoais. Seja qual for a idade deles, o espaço de tempo que levou para chegarem a esta conclusão, o sentimento que têm se harmoniza com o ditado bem conhecido: "Hoje é o primeiro dia do resto de minha vida." Sua perspectiva é tanto feliz como positiva, pois suas esperanças e aspirações dependem, não de homens, mas de Deus.


Sentir-se dessa maneira não implica deixar de reconhecer que existe realmente um rebanho de Deus, uma congregação chefiada por Cristo Jesus. O Filho de Deus deu a garantia de que teria verdadeiros seguidores, não apenas no primeiro século ou neste século XX, mas em todos os séculos intermediários, pois ele disse: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mateus 28:20) Embora entremisturados com todas as ervas daninhas que estavam destinadas a surgir, ele saberia quem eram estes discípulos genuinos, não por pertencerem a alguma organização mas pelo que eram como pessoas. Onde quer que estivessem, por mais imperceptível que possa ter sido do ponto de vista humano a participação deles em sua congregação, ele os tem conhecido e guiado através dos séculos como seu Cabeça e Amo. Diz-nos seu apóstolo: "Contudo, o sólido fundamento posto por Deus permanece firme, marcado com o seguinte selo: o Senhor conhece os que são seus" (2 Tim. 2:19 LEB) Por que deveríamos duvidar de que este continua a ser o caso até o tempo atual? A Palavra de Deus mostra que não compete a homens - nem mesmo é possível para homens - separar as pessoas de modo que digam que tem agora ajuntado todo o trigo nitidamente num só celeiro. As Escrituras deixam claro que, somente quando o Filho de Deus tornar conhecidos seus julgamentos, tornar-se-á manifesta essa identificação.


É difícil para uma Testemunha de Jeová pretender servir a Deus sem a grandiosidade e imponência de uma organização. Estas coisas eram também assim para as pessoas judaicas no primeiro século; pretender tal serviço a parte dos arranjos religiosos aos quais estavam acostumados era impossível. Os edifícios e prédios impressionantes do templo em Jerusalém, com o serviço do templo sendo realizado por um grupo de centenas e milhares de trabalhadores dedicados, levitas e sacerdotes, sua afirmação de ser exclusivamente o povo escolhido de Deus com todos os outros vistos como impuros, se impunham num tremendo contraste com os cristãos daquele tempo, que não tinham edifícios grandiosos, reuniam-se em lares simples, não tinham nenhuma classe sacerdotal distinta ou levita e reconheciam humildemente que, "em cada nação, o homem que teme a Deus e produz a justiça lhe é aceitável".


Transcrever tais palavras razoáveis sobre para onde ou "Para Quem Havemos de Ir" faz-me lembrar da ocasião em que escrevi um e-mail para um irmão, e depois a um outro, ambos prestes a se dissociar por motivo de consciência; um deles terminou por fazer isso alguns meses depois de conversarmos sobre muitos aspectos da suposta "arca protetora", "o paraíso espiritual", como se auto-elege a organização das Testemunhas de Jeová. Entre outras coisas a mensagem lhes dizia:



Caro irmão ...,



Gostaria de ser de maior ajuda para você, pois sei que sua trilha pela vida será ainda muito atribulada e penso em como você sofrerá pressões psicológicas muitíssimo fortes.



Penso também sobre o efeito alienante que sobrevém para alguns que resolvem sair e espero que isso não ocorra com você. Alguns perdem seus valores e princípios talvez por terem sofrido uma intensa programação que lhes ditava que "não haveria vida fora da organização" e que as pessoas lá fora eram apenas "mundanas" que não adoravam ao verdadeiro Deus. Ver assim todas as outras pessoas, digo, como meras "mundanas" contribui para um sentimento de relações hermeticamente fechadas. Isso exerce uma força controladora muito difícil de ser sobrepujada, vencida, desbloqueada. Mais ainda, tal mentalidade sitiada confere às Testemunhas de Jeová, um grau de superioridade em relação aos seus semelhantes e faz com que pensem de si mesmas mais do que realmente deveriam pensar. (Rom. 12:3) Essa "superioridade" gera o mito de único "povo escolhido por Deus para herdar o prometido paraíso".



Tudo isso se constitui em grande peso emocional e espiritual oriundo desta organização na qual você provou de frutos agridoces na maior parte do tempo. Você está certo: "Amar as pessoas, querer viver bem com elas, ter a humildade de se relacionar com os do mundo sem se sentir tão especial e escolhido por Deus"..., nada disso é suficiente. Parece até que conquistar o prêmio da vida eterna só é possível apenas dentro desta organização que se auto-glorifica, e por se fazer tudo que ela recomenda, receita ou impõe de forma muitas vezes sutil.



O pior é sentir, após muitos e muitos anos, que as amizades boas dentro da organização são, na maioria, com pessoas sinceras mas que vêem muito pouco do muito a que estão escravizadas. Pior ainda é não poder compartilhar isso abertamente com elas por causa do ferrenho controle de informações e das próprias idéias que permeiam todo o padrão, filosofia e estilo de vida das Testemunhas vítimas e reféns do Corpo Governante e de seu consciente coletivo...



...Mas, à medida que envelhecemos, tudo isto vai se tornando um exercício que exige cada vez mais força de vontade, paciência e muita oração. Fiz isso por longos e penosos anos. Acho que já estava "descompensado" psicologicamente, sem identidade autêntica e percebendo minha relação pessoal com meu Deus somente através da organização. Contudo, é a esse Deus de quem hoje tento me aproximar mais, tentando ser naturalmente mais reverente, mais sincero e mais verdadeiro, talvez por não mais TER QUE simplesmente fazer as coisas sob coerção e intimidação do "escravo fiel e discreto".



Aprendi do pior modo e com o elevado, doloroso e dramático custo da perda de amigos de longas datas, que as coisas livres são realmente as mais genuínas e aquelas que valem a pena, pois são feitas com um coração cheio de prazer.



É bom nunca perder a perspectiva de adoração a Jeová e cair na "gandaia" como tantos que saem com a mente cauterizada pelo erro, possivelmente porque já estavam fazendo coisas realmente erradas, do ponto de vista bíblico, lá dentro.



No entanto, estou mais do que convicto de que a bolha social fechada deste clube exclusivista em que vivem nossos irmãos é uma perigosa armadilha a favor da hipocrisia religiosa. Talvez seja essa a razão pela qual a Sociedade ultimamente esteja perdendo tantos membros e desesperadamente escreva tantos artigos sobre os perigos de se desenvolver uma "Dupla Personalidade".



"As pessoas", como você disse, "precisam de muletas emocionais e de todo um aparato espiritual para manter seu equilíbrio", mas tenha em mente que viver sob constante pressão e fazer coisas que são meros dogmas humanos, traz também muito conflito pessoal e às vezes isso apenas arruína um bom caráter por torná-lo dependente de uma organização paternalista. Quantos irmãos passam a esperar que outros decidam por eles coisas que só caberiam a eles mesmos decidir? Isso ocorre porque todo o processo de decisão, de formação de hábitos sadios, de uma consciência treinada pelo exercício da fé em Jeová, em sua palavra e em seu filho Cristo, sim, tudo isso fica quase sempre comprometido e cerceado pelo que dita a "mãe organização".



Tome, por exemplo, a questão de se ir a uma Comissão Judicativa onde os supostos ajudadores (inquisitores) fazem perguntas que devassam, expõem e ridicularizam a dignidade humana e a vida pessoal dos irmãos. Observe os efeitos posteriores ao ser dado o aviso de perda de privilégios ou coisa mais séria. Veja como a vítima se torna alvo de tagarelice, boatos e rumores infundados que a humilham, difamam-na e a desacreditam, muitas vezes pelo resto de sua vida. Veja como a privacidade, a intimidade da vida pessoal de alguém pode ficar maculada e sua reputação riscada.



E o que dizer das "fichas de polícia" apelidadas de "cartões de desassociação" que são enviados para Betel com detalhes tão íntimos e pessoais que a pessoa só deveria revelar para Jeová Deus através do único mediador autorizado biblicamente, Jesus Cristo? (1Tim. 2:5)



É deplorável ver tantas pessoas inteligentes só pensarem em termos de Organização e não em termos de uma relação bonita, natural e respeitosa com nosso Deus. Ele é o único que legitimamente tem o direito de apontar como isso certamente é possível se confiarmos Nele como nosso verdadeiro Deus, na Bíblia como Sua Palavra e em Seu filho como nosso resgatador.


Há milhares de pessoas cultivando esta relação. Um exemplo disso são os fóruns internacionais (Espanha e EUA) nos quais participo com vários irmãos TJ e ex-TJ de toda parte do mundo.



Esses têm expressado o desejo sincero de manter seu apego às normas bíblicas e não perdem o seu foco cristão por falarem sobre Jeová, suas qualidades e propósitos a outras pessoas; essa é uma coisa que eu pessoalmente anelo jamais deixar de fazer sempre que possível e espero poder ensinar isso aos meus filhos. (Deut. 6:4-9)



É uma experiência sincera e recompensadora quando ocorre sem o enorme peso das pressões habituais que nossos irmãos TJ têm de suportar atachadas às cansativas cobranças e olhares reprovadores de anciãos e outros membros da congregação.



Hoje consigo honestamente ver como a adoração a Jeová Deus e as demonstrações espontâneas de fé podem ocorrer com muito mais constância, com maior naturalidade e de forma muito mais qualitativa. A Bíblia recomenda "faça cada um conforme tem resolvido em seu coração, não de modo ressentido nem sob compulsão, pois Deus ama o dador animado" (2 Cor. 9:7 TNM))



As vezes, isso pode ficar esmagado, contido e resolvemos nos rebelar contra o poder religioso que parece ser um cerceamento opressor de nossa fé. Isso só acontece quando somos "solicitados" a servir a uma organização religiosa que nos obriga a dar-lhe além de nossa medida de fé naquilo que ela ensina. Isso faz com que nos sintamos comprimidos em nossos espaços internos e em nossa vida íntima, pessoal e familiar. Resultado: quase sempre terminamos sem fazer as verdadeiras "coisas de Deus" ou as fazemos com um coração que nunca está realmente "animado."



Atenciosamente,



Cid



Finalmente, a resposta à pergunta "Senhor, para Quem Havemos de Ir?" não tem outra resposta mais clara do que a apresentada na própria Bíblia em textos tais como os que encontramos em Isaías 1:18-20 e Salmos 1: 1-3 e 6 (TNM):



"Vinde a mim, pois, e resolvamos as questões entre nós, diz Jeová. Embora os vossos pecados se mostrem como escalarte, serão tornados brancos como a neve; embora sejam vermelhos como pano carmesim, torna-se-ão como a lã. Se quiserdes e deveras escutardes, comereis o bom da terra... pois a própria boca de Jeová falou [isto]."



"Feliz é o homem que não tem andado no conselho dos iníquos e que não se deteve no caminho dos pecadores, e que não se assentou no assento dos zombadores. Mas, seu agrado é na lei de Jeová e na sua lei ele lê dia e noite em voz baixa. E ele há de tornar-se qual árvore plantada junto a correntes de água, que dá seu fruto na estação e cuja folhagem não murcha, e tudo que ele fizer, será bem sucedido. Porque Jeová toma conhecimento do caminho dos justos."


 


 
Sexta, 24 de Novembro de 2017 Última Atualização: 28 de Janeiro de 2015 Visitante Nº: 239586